COMO ABORDAR DA MELHOR FORMA QUESTÕES DIFÍCEIS EM MAPAS DE CLIENTES

COMO ABORDAR DA MELHOR FORMA QUESTÕES DIFÍCEIS EM MAPAS DE CLIENTES

por KAY TAYLOR

 

A arte de abordar questões profundas e dolorosas de um Mapa pode ser uma dos pontos mais desafiadores que os astrólogos enfrentam em suas consultas

A astrologia é uma linguagem simbólica. Aprendemos através do estudo ou da experiência pessoal e com o cliente o que estes símbolos podem significar, mas existe uma gama de possibilidades para cada planeta e signo se manifestar de fato na realidade. Quando ainda adicionamos na mistura os aspectos entre os planetas, há muitos cenários possíveis, conectados tematicamente, mas potencialmente diferentes. Quando o tema é fácil, não é muito desafiador interpretar um Mapa, e o cliente em geral estará presente proximamente.

Entretanto, quando vemos o potencial de experiências dolorosas e traumáticas que o cliente possa ter tido – ou pode ainda estar repetindo – precisamos de sensibilidade e habilidade para abordar estes temas de uma forma que apoie o cliente e não cause mais outros danos. Queremos revelar a verdade, mas precisamos ter certeza de que o cliente esteja suficientemente aberto e estável emocionalmente para explorar as memórias dolorosas ou complicadas. A maioria de nós não é psicoterapeuta. Devemos estar preparados para encaminhar os clientes para outros profissionais, se acreditarmos que o trauma do cliente está além de nosso escopo de atuação.

Quando um cliente está em psicoterapia, normalmente o terapeuta espera por um número de sessões para construir uma relação de confiança antes de confrontar um trauma ou padrões de auto sabotagens. Como astrólogos, muitas vezes sentimos a pressão do pouco tempo que temos com o cliente e existem as expectativas de que tenhamos um bom desempenho na leitura. Poderemos talvez ter apenas aquela sessão – uma hora ou duas – para “desembrulhar” completamente a vida, a natureza psicológica e o futuro do cliente.

O cliente, por sua vez, em sua primeira leitura pode não ter absolutamente nenhuma ideia do quanto o astrólogo pode saber sobre ele! Pode ser que ele tenha marcado uma sessão apenas por curiosidade, esperando algo um pouco mais específico somente do que o seu signo solar. Ele pode ficar chocado ao descobrir que o astrólogo sabe mais sobre quem ele é do que quase todas as pessoas à sua volta.

 

Como sabemos se o cliente está pronto para uma leitura aberta e profunda?

Alguns clientes iniciam a sessão compartilhando detalhes íntimos sobre si-mesmos já desde o início e imediatamente já fazem perguntas mais profundas. Outros se sentam com os braços cruzados sobre seu peito, esperando não ter que fornecer nenhuma outra informação, além do nome e dados de nascimento. A atitude é “quero ver sua  melhor análise – vamos ver se você pode acertar mesmo!” Mas a maioria dos clientes fica em algum lugar no meio destes dois extremos, relativamente abertos, dando ao astrólogo alguns detalhes do passado, fazendo perguntas honestas, mas também esperando um pouco para ver se eles podem confiar em você.

É preciso tempo para aprender a avaliar detalhes desafiadores do mapa e devolver uma interpretação de uma forma clara e empática. É muito útil fazer um treinamento em Habilidades de Consultoria, como o programa que a OPA oferece.

Enquanto isso, até que você faça um treinamento, ou para reafirmar suas habilidades, aqui estão cinco estratégias-chave para questões difíceis em mapas:

 

  1. Consentimento – Reconhecer o Cliente

Não se adiante em tópicos sensíveis antes de verificar se isso estará de acordo com o momento do cliente. Se ele lhe fizer uma pergunta específica, aí sim você pode assumir que ele esteja pronto para ouvir a sua resposta. Mas se ele não perguntar, passe pelo assunto brevemente.

“Imagino que você tem tido algumas questões intensas em suas relações durante os dois últimos anos. Como tem sido isso para você” ou, “Você gostaria de explorar os temas da sua infância mostrados em seu mapa? Parece que foi bastante difícil…”.

Não temos o direito de imprimir nossas crenças a um cliente, inclusive o que supomos que eles precisem saber a partir do mapa. Por outro lado, podemos ser negligentes se ignorarmos completamente os temas fortes de sua vida, ou possibilidades prováveis que enfrentarão no futuro. Tem que haver um equilíbrio.

 

  1. Usar a linguagem das possibilidades

A menos que tenhamos 100% de certeza comprovado cientificamente (o que é claro que não temos por que isso é muito complicado em um mapa e o livre arbítrio existe até certo ponto), não podemos fazer afirmações definitivas. Além disso, as pessoas são capazes de nos ouvir com menos defensividade quando suavizamos nossa linguagem para permitir que elas aceitem ou rejeitem o que dizemos, ou para poderem se ajustar à nossa colocação. Usar palavras como “possivelmente, talvez, pode ser, normalmente, frequentemente ou potencialmente”. Isto fortalece o cliente.

 

  1. Não é um monólogo

Uma consulta deve ser interativa, não um monólogo. Você não precisa provar que sabe tudo, e felizmente hoje em dia cada vez mais os clientes são consumidores informados que sabem que uma boa leitura é um processo interativo. A consciência que a pessoa já adquiriu sobre suas questões não é visível no mapa. Precisamos conversar com nossos clientes e ouvir as entrelinhas de suas perguntas – para saber como eles estão experimentando seu potencial que está no Mapa. Se não for possível ter essa conversa por algum motivo, é melhor mencionar o leque de possibilidades de expressão que pode haver em seu livre-arbítrio.

 

  1. Livre-se do apego

Por favor, não discuta com seus clientes se eles não concordarem com o que você acabou de dizer, pode ser uma questão da sua interpretação dos símbolos, ou da experiência deles, que é única. De qualquer forma, eles é que são os donos de suas vidas. A perspectiva própria deles é muito importante. Verifique novamente seus dados de nascimento para ter certeza de que estejam corretos. Se eles ainda assim não se conectarem com a sua interpretação, deixe para lá. Talvez ainda não tenha surgido o momento dessa determinada questão para eles. Talvez eles não reconheçam essa questão sobre si mesmos agora, mas poderão enxergar mais tarde.

Marte na Casa IX domina meu mapa. Quando eu era mais jovem, vários astrólogos me disseram: “Oh, você deve amar viagens ao exterior”. A verdade é que eu era uma mãe solteira com crianças pequenas…eu não ia a lugar nenhum! Uma vez que as crianças cresceram, aí sim apareceu esse fator de adorar viagens. Na época dessas leituras sobre meu mapa no passado, eu só podia pensar em almoços escolares e na próxima conta a pagar.

 

  1. Empatia e compaixão

Empatia e compaixão são os bálsamos que facilitam a cura em todos as leituras. Quando você dá suporte ao cliente com compaixão, sabendo que todos nós estamos fazendo o melhor que podemos neste caminho acidentado que é a vida, você é capaz de transmitir verdadeira empatia. Você consegue enxergar o cliente como um ser integral, trabalhando com seus desafios particulares, tendo você como um guia – um igual com uma habilidade especial que pode facilitar-lhes a fazer escolhas com poder de decisão. A maneira como você transmitir sua astrologia será positiva e fortalecedora, e não julgadora, fatalista ou crítica. É importante evitar também sentir pena do cliente. Isto pode implicar que você se sente superior e sente por eles.

Para resumir, podemos ver muito em um mapa astrológico. Não temos que dizer a uma pessoa tudo o que sabemos nos primeiros sessenta minutos depois de tê-la conhecido. Somos relativamente estranhos em uma situação exclusiva e íntima. Tente seguir suas elaborações. Mantenha-se centrado. Escute profundamente e confie em sua intuição para te guiar para poder colocar as palavras certas para o momento.

 

Kay Taylor é uma astróloga evolutiva, autora e professora que vem integrando a astrologia transformativa com maestria e intuição, psicossíntese, filosofia da yoga e uma riqueza de sabedoria curativa há mais de 35 anos. Kay dedica-se à OPA (Organization for Professional Astrology) há muitos anos, entrando para a Diretoria em 2018 como Diretora de Educação e caminhou para o cargo de Presidente em 2020, onde ela também é uma Líder do Peer Group e co-criou o Treinamento de Habilidades de Consultoria. A Escola Caminho da Alma de Kay treina profissionais intuitivos e astrólogos evolutivos. As publicações incluem “Caminho da Alma (2016)”, “Uma vida intuitiva” (blog para astrology.com 2008-2014), e capítulos para as antologias “O Astrólogo Profissional” (2015) e “Astrologia Essencial” (2022). Certificada pela OPA, ISAR CAP e NCGR Nível II, mantém uma próspera prática de consultoria em tempo integral sediada na área da baía de São Francisco.

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