{"id":729,"date":"2017-12-14T06:51:37","date_gmt":"2017-12-14T08:51:37","guid":{"rendered":"http:\/\/astroceap.com.br\/ceap\/?p=729"},"modified":"2017-12-14T06:51:37","modified_gmt":"2017-12-14T08:51:37","slug":"lilith-um-lado-obscuro-materno-ou-um-impulso-primitivo-negligenciado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/astroceap.com.br\/ceap\/lilith-um-lado-obscuro-materno-ou-um-impulso-primitivo-negligenciado\/","title":{"rendered":"LILITH &#8211; Um lado \u201cobscuro\u201d materno ou um impulso primitivo negligenciado?"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #993300;\">por Daniela Rossi<\/span><\/h4>\n<p>Muito se fala a respeito de Lilith e de seu aspecto sensual-magn\u00e9tico, fascinante e ao mesmo tempo temer\u00e1rio: uma parte sombria da natureza humana presente em todos n\u00f3s e herdada, principalmente, dos mitos judaico-crist\u00e3os constantemente presentes em nosso inconsciente coletivo.<\/p>\n<p>No entanto, pouco se l\u00ea ou se encontra publicado a respeito de seu simbolismo astrol\u00f3gico e interpretativo dentro de uma an\u00e1lise que fuja das caracter\u00edsticas primordiais incutidas justamente por nossa heran\u00e7a judaico-crist\u00e3 e impregnadas de fatores malignos, demon\u00edacos e negativos a esse respeito, especialmente os sexuais.<\/p>\n<p>O artigo em quest\u00e3o, fonte de profunda pesquisa anal\u00edtica e comparativa junto aos meus pr\u00f3prios clientes, baseia-se em questionamentos e suposi\u00e7\u00f5es a respeito da participa\u00e7\u00e3o de Lilith dentro do drama astrol\u00f3gico contido em toda carta natal, partindo da busca e compreens\u00e3o de um significado mais profundo e revelador a esse respeito, dentro de uma interpreta\u00e7\u00e3o astrol\u00f3gica que vislumbra a evolu\u00e7\u00e3o do Ser e seu crescimento espiritual, para melhor aproveitamento de seu potencial e desenvolvimento aqui na terra.<\/p>\n<p>Assim, para melhor compreens\u00e3o de seu simbolismo, mister se faz uma pequena apresenta\u00e7\u00e3o astron\u00f4mica e mitol\u00f3gica do arqu\u00e9tipo em quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Origem:<\/strong><\/p>\n<p>Em 23 de setembro de 1846, Johann Galle, do Observat\u00f3rio de Berlim, confirmou a presen\u00e7a de Netuno na posi\u00e7\u00e3o calculada matematicamente por Le Verrier. Nesse mesmo ano, concordando com as ilus\u00f5es e os enganos associados a Netuno, Frederic Petit, diretor do observat\u00f3rio de Toulouse, na Fran\u00e7a, anunciava a descoberta de uma segunda lua da Terra.<br \/>\nNo entanto, registros astron\u00f4micos confirmam o aparecimento de uma estranha e escura nuvem de poeira quando vista em conjun\u00e7\u00e3o ao astro-Rei ou um intenso e avermelhado globo de fogo quando de sua oposi\u00e7\u00e3o ao Sol desde 23 de dezembro de 1719.<\/p>\n<p>Entre 1719 e 1846, foram registradas 12 diferentes apari\u00e7\u00f5es para esse novo corpo celeste em 12 diferentes observat\u00f3rios astron\u00f4micos mundiais. Nos anos seguintes, muitos astr\u00f4nomos, principalmente amadores, passaram a procurar a segunda lua da Terra.<\/p>\n<p>Em 1898, o Doutor George Waltemath, de Hamburgo, comunicou ter descoberto um sistema de pequenas luas da Terra, o que despertou grande interesse p\u00fablico. Mas, somente em 1918 as investiga\u00e7\u00f5es acerca desse novo sat\u00e9lite da Terra ganharam aten\u00e7\u00e3o quando o ilustre astr\u00f3logo Sepharial voltou a considerar essa lua de Waltermath, dizendo que por ser escura n\u00e3o seria vis\u00edvel na maior parte do tempo, abrindo, assim, um fascinante campo de pesquisa aos futuros astr\u00f3logos com seu livro \u201cThe Science of Foreknowledge\u201d no qual dedica um cap\u00edtulo<\/p>\n<p>&#8211; intitulado \u201cO Novo Sat\u00e9lite\u201d &#8211; a Lilith.<\/p>\n<p>Em todos os reportos a refer\u00eancia de Lilith era sempre a mesma: a de um corpo nebuloso ou nuvem de poeira, dif\u00edcil de identificar. Somente podendo ser observada nas noites de Lua Nova e em posi\u00e7\u00e3o diretamente oposta ao Sol. Obviamente, tal n\u00e3o acontecia frequentemente.<\/p>\n<p>Posteriormente, em 11 de Fevereiro de 1927, Benjamin Jekhowsky descobre um aster\u00f3ide do cintur\u00e3o principal (aster\u00f3ide 1181) que orbita entre Marte e J\u00fapiter, o qual tamb\u00e9m foi batizado Lilith.<\/p>\n<p>No entanto, quando os primeiros sat\u00e9lites artificiais foram lan\u00e7ados, em 1957 e 1958, por registros fotogr\u00e1ficos de suas posi\u00e7\u00f5es foi constatado que a Terra pode ter outros sat\u00e9lites naturais, pr\u00f3ximos a ela, mas por per\u00edodos curtos. S\u00e3o meteor\u00f3ides que tocam a atmosfera superior e perdem velocidade, fazendo com que alguns deles entrem em \u00f3rbita, com um n\u00famero de revolu\u00e7\u00f5es entre uma e cem, por um m\u00e1ximo de tempo de 150 horas. \u00c9 poss\u00edvel que Petit tenha se referido a um desses sat\u00e9lites ef\u00eameros.<\/p>\n<p>A Lilith, ou Lua Negra, utilizada atualmente pela Astrologia n\u00e3o \u00e9 um sat\u00e9lite da Terra, mas sim o apogeu lunar, como foi proposto (ou relembrado) por Don N\u00e9roman, fundador do Coll\u00e8ge Astrologique de France em 1933, na \u00e9poca em que Plut\u00e3o foi descoberto.<br \/>\nA Lua descreve uma trajet\u00f3ria el\u00edptica ao redor da Terra. Uma elipse possui dois pontos focais. A \u00f3rbita lunar \u00e9 uma elipse que tem um dos focos no centro da Terra; a longitude do foco vazio dessa elipse, que coincide com o apogeu lunar verdadeiro, \u00e9 a Lua Negra ou Lilith, conforme esse conceito de N\u00e9roman.<br \/>\nAmbos os pontos, o apogeu e o segundo ponto focal, localizam-se no eixo maior da elipse orbital, chamado tamb\u00e9m de linhas das apsides. Vistos da Terra, est\u00e3o na mesma dire\u00e7\u00e3o, portanto, ocupam o mesmo lugar no Zod\u00edaco.<\/p>\n<p>Astrologicamente, Lilith \u00e9, portanto, um ponto virtual associado \u00e0 maior dist\u00e2ncia (apogeu) da Lua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra. A proje\u00e7\u00e3o no zod\u00edaco tropical deste ponto visto desde a Terra vai determinar a posi\u00e7\u00e3o zodiacal de Lilith.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do apogeu da Lua, Lilith, desloca-se 6 minutos e 30 segundos por dia, 40 graus ao ano, percorrendo um signo zodiacal a cada 9 meses, per\u00edodo m\u00e9dio de uma gesta\u00e7\u00e3o, o que nos remete ao simbolismo lunar da maternidade e ao poder de gerar mudan\u00e7as durante seu transito; levando 3.232 dias para dar uma volta completa no zod\u00edaco, aproximadamente, 9 anos.<\/p>\n<p>Com a mesma dificuldade encontramos Lilith em nosso Mapa, pois remonta o lado mais sombrio, nebuloso e indecifr\u00e1vel de nossa psique, algo al\u00e9m da pr\u00f3pria Lua e, portanto, influenciando um n\u00edvel ainda mais profundo de nossa consci\u00eancia humana: o dos instintos n\u00e3o revelados e das m\u00e1goas de inf\u00e2ncia n\u00e3o reconhecidas.<\/p>\n<p>Lilith n\u00e3o tem sido apenas um estudo de curiosidade da astrologia h\u00e1 mais ou menos um s\u00e9culo, mas tamb\u00e9m mitologicamente desvirtuada desde os tempos de Ad\u00e3o; obstinadamente sofrendo resist\u00eancias e sendo desaprovada ou n\u00e3o considerada por diversos astr\u00f3logos, permanecendo simplificadamente interpretada como causadora de dist\u00farbios sexuais e foco de grande frustra\u00e7\u00e3o dentro de um mapa.<\/p>\n<p>No entanto, se observarmos o glifo de Lilith, poderemos compar\u00e1-la significativamente com Saturno.<\/p>\n<p>Ambos s\u00e3o representados pelo Meio-C\u00edrculo da Alma e a Cruz da Mat\u00e9ria e, portanto, ambos representam circunst\u00e2ncias limitadoras e disciplinadoras que nos for\u00e7am atitudes realistas: Lilith-emocionalmente; Saturno-materialmente.<\/p>\n<p>Assim como Saturno limita materialmente onde n\u00e3o h\u00e1 responsabilidade e comprometimento, Lilith frustra e inibe onde quer que exista imaturidade emocional e sentimentalismo exacerbado.<\/p>\n<p>Sendo um foco vazio da \u00f3rbita lunar, portanto, pessoal, representa um aspecto obscuro e n\u00e3o percept\u00edvel de n\u00f3s mesmos. Caracter\u00edsticas que procuramos n\u00e3o enxergar, mesmo sabendo que existem, mas que se encontram escondidas em algum lugar do nosso inconsciente.\u00a0 Como parte do simbolismo lunar, um impulso primitivo que se encontra muitas vezes negligenciado e n\u00e3o verdadeiramente reverenciado.<\/p>\n<p>Uma vez que nossa alma (Lua) abriga experi\u00eancias de outras vidas, de nosso passado e ancestralidade, Lilith simbolizaria nossa criatividade original, um instinto n\u00e3o revelado, um talento n\u00e3o reconhecido.<\/p>\n<p>Por ser o foco vazio da \u00f3rbita lunar, \u00e0 Lilith s\u00e3o associados sentimentos de falta, de perda, de aus\u00eancia, de frustra\u00e7\u00e3o, de coisas insatisfat\u00f3rias que precisam ser bem compreendidas &#8211; sempre no contexto do signo, casa, aspectos (com \u00f3rbitas da ordem de 3\u00ba) e movimento, se direto ou retr\u00f3grado.<\/p>\n<p>Comparativamente, conforme Jung, a estrutura da psique pode ser dividida em 3 partes assim figuradas:<\/p>\n<p><strong>1-<\/strong>\u00a0\u00a0 \u00a0Topo da montanha, que corresponde ao consciente, n\u00edvel pessoal de atua\u00e7\u00e3o dos planetas (Sol, Lua, Merc\u00fario, V\u00eanus, Marte, J\u00fapiter)<\/p>\n<p><strong>2-\u00a0<\/strong>\u00a0 \u00a0Camada intermedi\u00e1ria das montanhas, o inconsciente pessoal, o lado de nossa personalidade de dif\u00edcil acesso, sombrio, e que precisa ser pesquisado e reconhecido (Saturno e Lilith). Ambos podem ser vistos a olho nu, mas requerem grande esfor\u00e7o de percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>3-<\/strong>\u00a0\u00a0 \u00a0Camada interna e profunda das montanhas, o inconsciente coletivo, refletindo um pensamento geracional, comum a v\u00e1rios indiv\u00edduos; pessoas que respondem de maneira semelhante \u00e0s mesmas circunst\u00e2ncias (Urano, Netuno, Plut\u00e3o).<\/p>\n<p>Assim, Lilith na maioria das vezes se torna t\u00e3o mal compreendida quanto Saturno aos olhos da humanidade.<\/p>\n<p>Em Saturno a cruz da \u201cmat\u00e9ria\u201d sobrep\u00f5e-se \u00e0 meia-lua da \u201calma\u201d, ou seja, Saturno coloca a Humanidade de joelhos. Suas experi\u00eancias s\u00e3o profundamente gravadas na alma, pois castiga e flagela os que lhes caem nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Condenado injustamente como nefasto e \u201cdeus mal\u00e9fico\u201d, pois, assim como S\u00e3o Pedro \u2013 o guardi\u00e3o dos port\u00f5es do para\u00edso-, impede a entrada nos C\u00e9us (Urano) daquele cuja alma (semi-circulo) n\u00e3o tenha sido purificada (Cruz da Mat\u00e9ria).<\/p>\n<p>Sua tarefa \u00e9 lutar sempre, at\u00e9 que a humanidade curve o Humano diante do Divino, o que muitas vezes nos leva \u00e0 dor, ao sofrimento, \u00e0 tristeza t\u00e3o fortemente relacionada a esse arqu\u00e9tipo.<\/p>\n<p>Assim, tanto Saturno quanto Lilith nos trazem uma experi\u00eancia profundamente silenciosa. Parece-nos ingrata e nunca os reverenciamos merecidamente. Louvamos a Zeus\/J\u00fapiter (abund\u00e2ncia), Afrodite\/V\u00eanus (amor, prazer), Hermes\/Merc\u00fario (conhecimento, intelig\u00eancia), mas nunca Saturno\/Cronos que trabalha incessantemente na realidade para despertar nosso Ego adormecido.<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m \u00e9 Lilith, nossa pequena Ovelha Negra da fam\u00edlia Solar, ou seja, mal compreendida se observada discriminadamente, mas extremamente positiva se considerada como a for\u00e7a da independ\u00eancia, do desapego e amadurecimento emocional e da rever\u00eancia ao poder feminino.<\/p>\n<p>No entanto, como tudo no Universo possui uma polaridade positiva e outra negativa, seu lado negro \u00e9 mais facilmente identificado exercendo influ\u00eancia sobre a natureza dos nossos desejos e sobre nosso poder de n\u00e3o submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez que Lilith representa um ponto impercept\u00edvel da trajet\u00f3ria Lunar, seu simbolismo tamb\u00e9m deveria se associar a uma parcela n\u00e3o reconhecida de nosso relacionamento materno, ou seja, at\u00e9 que ponto Lilith n\u00e3o representaria os aspectos mais obscuros e negativos de nossa pr\u00f3pria m\u00e3e, dentro de nossa limitada percep\u00e7\u00e3o, e consequentemente, um padr\u00e3o de comportamento j\u00e1 cristalizado e completamente inconsciente de n\u00f3s mesmos; rea\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo repeti\u00e7\u00e3o de um comportamento materno que repugnamos, mas que, sem nos darmos conta, insistimos em proferir, atraindo justamente todas as frustra\u00e7\u00f5es a ele associadas?<\/p>\n<p>Portanto, podemos associar \u00e0 Lilith conte\u00fados infantis n\u00e3o desenvolvidos; experi\u00eancias existenciais da inf\u00e2ncia mal resolvidas ou negativamente elaboradas e, principalmente, um foco de imaturidade emocional n\u00e3o reconhecido.<\/p>\n<p>Desta maneira, onde houver imaturidade emocional no car\u00e1ter da casa onde Lilith se localiza, haver\u00e1 uma nega\u00e7\u00e3o ou frustra\u00e7\u00e3o como disciplina.<\/p>\n<p>Sentimentos de inferioridade, vitimiza\u00e7\u00e3o e medos irracionais surgem como resultado da falta de maturidade emocional. O que sentimos falta ou perdemos s\u00e3o, na verdade, valores negados em n\u00f3s mesmos, por n\u00f3s mesmos e que costumamos atribuir negativamente \u00e0 nossa m\u00e3e ou fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Desta forma, enquanto n\u00e3o reconhecermos nossa parcela de responsabilidade dentro de comportamentos id\u00eanticos aos de nossos pais, e neste caso, iguais aos da m\u00e3e, permaneceremos na posi\u00e7\u00e3o de filhos\/crian\u00e7as, imaturos diante da vida e sujeitos \u00e0s mais diversas frustra\u00e7\u00f5es como resultado.<\/p>\n<p>Se identificamos o principio Solar com o arqu\u00e9tipo do Pai-Her\u00f3i e Saturno como sua contra-parte tir\u00e2nica, onde mais encontrar\u00edamos o lado negro materno se n\u00e3o em nossa sombra lunar a que denominamos Lilith?<\/p>\n<p>Sendo assim, \u00e9 importante reconhecermos o lado mais sombrio de seu posicionamento para conseguirmos usufruir de sua luz, o que nos leva diretamente ao mito, uma clara o objetiva maneira de analisarmos seu efeito atuando na psique humana h\u00e1 mil\u00eanios&#8230;<\/p>\n<p><strong>Mitologia:<\/strong><\/p>\n<p>Lilith, derivado de Laylah em Hebraico, significa Noite. Referindo-se \u00e0 escurid\u00e3o \u00e0 qual o sat\u00e9lite orbita e ao lado escuro da natureza dos desejos humanos.<br \/>\nCaldeus denominavam-na Lilatu. Ass\u00edrios chamavam-na Layla e as tribos Semitas, Alitat, sendo comparada \u00e1 deusa Kali pelos Hindus.<\/p>\n<p>&#8220;Lil&#8221; tamb\u00e9m era a palavra sumero-ac\u00e1dia que designava a &#8220;tormenta de p\u00f3&#8221; ou &#8220;nuvem de p\u00f3&#8221;, um termo que tamb\u00e9m se aplicava aos fantasmas, cuja forma era uma nuvem de p\u00f3 e cujo o alimento era supostamente o p\u00f3 da terra. Na l\u00edngua sem\u00edtica &#8220;liliatu&#8221; era ent\u00e3o &#8220;a criada de um fantasma&#8221;, por\u00e9m prontamente se fundiu com a palavra &#8220;layil&#8221;, &#8220;noite&#8221;, e se converteu em uma palavra que se designava a um dem\u00f4nio noturno.<\/p>\n<p>Na Sum\u00e9ria, Lilith aparece como Ishtar.\u00a0 Na Gr\u00e9cia Antiga foi associada a H\u00e9cate Tr\u00edplice, deusa da Lua que possui v\u00e1rios bra\u00e7os, podendo ser comparada tamb\u00e9m a Kali &#8211; divindade Lunar Hindu e, a partir da\u00ed, passou a simbolizar o lado escuro lunar, que, por sua vez, reflete o poder oculto e destrutivo do ser humano.<\/p>\n<p>A &#8220;L\u00edl\u00edt&#8221; do texto hebraico se traduz na vers\u00e3o grega por Lamia. As &#8220;lamiae&#8221; s\u00e3o muito conhecidas nas tradi\u00e7\u00f5es gregas e latinas, como monstros voadores noturnos, que sempre aparecem sob o aspecto de p\u00e1ssaros. A maioria dos autores afirma que as lamias s\u00e3o monstros femininos que devoram homens e crian\u00e7as. Portanto, as lamias e Lilith t\u00eam muitos pontos em comum e foram posteriormente convertidas em &#8220;vampiras&#8221;.<br \/>\nEm Teosofia, os segredos da Lua Negra pertencem ao conhecimento profundo da cosmog\u00eanese. Os te\u00f3sofos afirmam que a Lua precede a Terra; \u00e9 mais velha. Na hierarquia evolutiva do cosmo, a Lua \u00e9 m\u00e3e da Terra e na cadeia planet\u00e1ria admitida em Teosofia, um globo que morre transfere sua energia para um outro que nasce. Analogamente, assim como a Lua permanece constantemente orbitando ao redor da Terra, como que se alimentando de sua energia, nosso lado infantil e negligenciado em Lilith poder\u00e1 \u201cvampirizar\u201d e obscurecer o lado positivo lunar fazendo-nos enxergar apenas um foco negativo na personalidade materna, tornando-nos eternamente v\u00edtimas das circunst\u00e2ncias onde se posicionam ambas por signo e casa.<br \/>\nNa Sum\u00e9ria e na Babil\u00f4nia, ao mesmo tempo em que era cultuada, era identificada com os dem\u00f4nios e esp\u00edritos malignos. Considerada uma divindade lunar, pois assim como a lua ela seria uma deusa de fases boas e ruins. Alguns estudiosos a assemelham \u00e0s v\u00e1rias deusas da fertilidade, assim como deusas cru\u00e9is devido ao sincretismo com outras culturas.<br \/>\nNo entanto, a imagem mais conhecida que temos dela \u00e9 a que nos foi dada pela cultura hebraica. Uma vez que esse povo foi aprisionado e reduzido \u00e0 servid\u00e3o na Babil\u00f4nia, onde Lilith era cultuada, \u00e9 bem prov\u00e1vel terem-na associado como um s\u00edmbolo de algo negativo. Vemos assim a transforma\u00e7\u00e3o de Lilith no modelo hebraico de dem\u00f4nio.<br \/>\nConta a lenda que Lilith foi irm\u00e3 g\u00eamea de Ad\u00e3o e sua primeira mulher. Reconhecendo que havia sido criada por Deus com a mesma mat\u00e9ria prima, Lilith rebelou-se, recusando-se a ficar sempre em baixo durante as suas rela\u00e7\u00f5es sexuais. Considerava-se sua igual e n\u00e3o uma submissa. Assim, por n\u00e3o suportar suas ordens, foi expulsa do Para\u00edso.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, Lilith \u00e9 sempre tida como a \u201coutra\u201d mulher, a amante, aquela que escraviza os homens em seus desejos. Tamb\u00e9m denominada P\u00e1ssaro Noturno, Lilith exemplifica a condi\u00e7\u00e3o humana em seu negro ou escuro est\u00e1gio de consci\u00eancia universal.<\/p>\n<p>Lilith transparece, no mito hebreu, como a mulher livre, sensual, sexual e at\u00e9 certo ponto selvagem. Aquela que n\u00e3o se submete a nenhum homem, mas SEGUE SEUS INSTINTOS E DESEJOS. Por isso ela \u00e9 representada sobre le\u00f5es &#8211; s\u00edmbolo da for\u00e7a sexual masculina. No fundo, \u00e9 a mulher que todo homem deseja, mas que tamb\u00e9m teme, e por isso mesmo, parece um &#8220;dem\u00f4nio tentador&#8221;.<\/p>\n<p>Daqui extra\u00edmos a fascina\u00e7\u00e3o que todo homem sente pelo signo ao qual se encontra sua Lilith, apesar de se comprometerem mais facilmente com o arqu\u00e9tipo lunar de sua carta natal, fugindo \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Lilith, na tradi\u00e7\u00e3o matriarcal, \u00e9 uma imagem de tudo o que h\u00e1 de melhor na sexualidade feminina &#8211; A NATUREZA DA MULHER, O PODER DO SANGUE MENSTRUAL, que \u00e9 o poder da Lua Escura (a Lua Minguante). O per\u00edodo normalmente dedicado a Lilith, naquela \u00e9poca, era exatamente o per\u00edodo menstrual. O momento em que as mulheres poderiam ter rela\u00e7\u00f5es sexuais livres da possibilidade de gravidez e, por isso, tais rela\u00e7\u00f5es estariam exclusivamente ligadas ao prazer (e n\u00e3o \u00e0 procria\u00e7\u00e3o, como era a perspectiva patriarcal). Assim, muitas vezes se referiam a essa Deusa como o &#8220;Esp\u00edrito Menstrual&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Simbolismo:<\/strong><\/p>\n<p>Assim como foi dif\u00edcil determinar sua localiza\u00e7\u00e3o e posi\u00e7\u00e3o astron\u00f4mica, a posi\u00e7\u00e3o de Lilith na Carta Natal tr\u00e1s sempre algo de misterioso e indecifr\u00e1vel \u00e0 casa e signo onde Lilith se encontra, mas como se trata de um movimento lunar e, portanto, pessoal, essa caracter\u00edstica se torna indecifr\u00e1vel, na maioria das vezes, para n\u00f3s mesmos. Caracter\u00edsticas que procuramos n\u00e3o enxergar, mesmo sabendo que existem, que se encontram em algum lugar do nosso subconsciente.<\/p>\n<p>Apesar de Lilith n\u00e3o ser vista em seu movimento di\u00e1rio \u00e9, contudo, percebida pela vis\u00e3o intuitiva que traduz \u00e0 mente o significado de uma atividade mais elevada, que \u00e9 a realidade por tr\u00e1s de for\u00e7as n\u00e3o vis\u00edveis. Da mesma maneira, existem facetas de nossa personalidade que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente ativas ou reconhecidas em nosso comportamento di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Desta forma, a casa onde Lilith se encontra no mapa astral ir\u00e1 identificar onde exercemos forte fasc\u00ednio e, portanto, onde estamos mais sujeitos \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es. Aqui n\u00e3o nos submetemos \u00e1 autoridade e por isso mesmo \u00e9 neste ambiente que fazemos escolhas erradas e conseq\u00fcentemente estaremos fadados ao arrependimento. Sendo assim, \u00e9 neste setor do mapa natal que devemos mais do que nunca reavaliar nossas atitudes e comportamentos j\u00e1 que por aqui nos sentimos vulner\u00e1veis, intimidados e sem confian\u00e7a, para que possamos, finalmente, reconquistar nosso lugar no para\u00edso&#8230;<\/p>\n<p><strong>Daniela Rossi<\/strong><\/p>\n<p>Graduada em Direito pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP. Dedica-se ao estudo da Astrologia desde 1986 quando participou da 1\u00aa turma do Instituto Delphos\/SP coordenado por Milton Maciel. Iniciou seus trabalhos em parceria com psic\u00f3logas, conciliando a abordagem astrol\u00f3gica como excelente auxiliadora de diagn\u00f3sticos precisos e sens\u00edveis. A partir da\u00ed desenvolveu uma linha de trabalho humanista e integrativa.<\/p>\n<p>Docente em Astrologia, coordena grupos, palestras e workshops na \u00e1rea Astrol\u00f3gica e Transpessoal. Atualmente desenvolve a Astroterapia (psicoterapia em grupo com auxilio do mapa astral) e participa como Terapeuta do Projeto Amanhecer no Hospital Universit\u00e1rio da UFSC.<\/p>\n<p>Credenciada pela Astrobrasil (Central Brasileira de Astrologia) entre 2005 e 2008, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Maur\u00edcio Bernis e associada da CNA &#8211; Central Nacional de Astrologia.<\/p>\n<p><em>Bibliografia:<br \/>\nCONHECIMENTO DA ASTROLOGIA- Ana Maria da Costa Ribeiro<br \/>\nLILITH A LUA NEGRA- Roberto Sicuteri<br \/>\nINTERPRETING LILITH \u2013 Delphine Joy<br \/>\nTHE BOOK OF LILITH &#8211; Barbara Koltuv<br \/>\nLES NOEUDS LUNAIRES ET LA LUNE NOIRE- Marie Th\u00e9r\u00e8se des Longchamps<br \/>\nASTROLOGIE PASSION- Sous la direction d&#8217;Elizabeth Teissier.<br \/>\nMANUAL DE ASTROLOGIA ESSENCIAL \u2013 Valdenir Benedetti<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Daniela Rossi Muito se fala a respeito de Lilith e de seu aspecto sensual-magn\u00e9tico, fascinante e ao mesmo tempo temer\u00e1rio: uma parte sombria da natureza humana presente em todos n\u00f3s e herdada, principalmente, dos mitos judaico-crist\u00e3os constantemente presentes em<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-nacionais"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>LILITH - Um lado \u201cobscuro\u201d materno ou um impulso primitivo negligenciado? 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